
O aproveitamento da biomassa, sobra da cana de açúcar que resulta da produção de etanol, poderia dobrar o volume de geração desse combustível.
Para o professor de Agronomia da UnB, Luiz Vicente Gentil, o financiamento é estratégico para o país. “O Brasil já é imbatível no etanol de primeira geração”, diz. “Já temos pesquisas no setor, mas precisamos transformá-las em produtos”, defende Marcos Buckeridge, diretor científico do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol, em Campinas, e um dos maiores especialistas no tema. Ele acredita que o financimento poderá ajudar a consolidar a liderança do Brasil no setor.
Além de estimular a indústria da biomassa, o financiamento envolve uma das áreas estratégicas de pesquisa do Centro de Biotecnologia: a de biocombustíveis. Segundo a professora Lídia de Moraes, do Departamento de Biologia Celular da UnB, o financiamento pode trazer benefícios importantes para a UnB ao incentivar um mercado de grande potencial e exatamente em um setor onde a produção científica da UnB pretende ser de excelência. "Com o financiamento, é natural que as empresas recorram às universidades para aumentar a produtividade e é exatamente essa a proposta do Centro de Biotecnologia", afirma.
Lígia explica que a idéia do futuro parque tecnológico é gerar produtos em grande escala, fazendo uma ligação entre a pesquisa e o mercado. O edital da obra está previsto para maio deste ano, segundo o diretor do Centro de Planejamento Oscar Niemeyer da UnB (Ceplan), Alberto de Faria. Para a construção, serão destinados R$ 8 milhões.
BAGAÇO - A iniciativa do BNDES e da Finep tem como propósito aumentar o desenvolvimento e a produção de etanol de segunda geração, aquele obtido a partir do bagaço da cana-de-açucar. O Brasil tem 440 usinas de cana e é o segundo maior produtor de álcool, atrás dos Estados Unidos, mas ainda engatinha quando se fala em produção de etanol celulósico.
Atualmente a quebra da celulose – que constitui 40% do bagaço da cana - ainda tem um rendimento pequeno, de 20%. “O problema é que as enzimas usadas ainda não conseguem quebrar a celulose totalmente para que vire álcool”, explica a professora Lídia de Moraes.
Ela enfatiza que a hemicelulose, outro polímero do bagaço, não atrai as leveduras e que todo o processo é tratado como uma corrida científica. “É uma formula mágica que todo mundo quer descobrir”, diz.
Cada tonelada de cana gera 280 quilos de bagaço, que hoje é usado basicamente para produzir energia elétrica e adubo. A transformação em mais etanol criaria um novo paradigma para um setor que atualmente sofre com a escassez. “As guerras no Oriente Médio e a crise da energia nuclear só contribuem para aumentar essa demanda”, acredita a professora Lídia. Ela defende que estamos perto do limite de produção e de plantio, por isso é necessário buscar novas tecnologias para aumentar a produtividade.
Segundo o estudo de 2009, “A corrida tecnológica pelos biocombustíveis de segunda geração: uma perspectiva comparada”, do BNDES, a tecnologia industrial de produção de etanol no Brasil está próxima de seus limites teóricos. Por isso usar etanol de segunda geração iria impedir que mais terras fossem utilizadas e aumentaria a matriz energética do País.
O professor Fernando Araripe, do instituto de Biologia diz que o Brasil está um pouco atrasado, sobretudo na produção de enzimas. “A gente não produz enzimas em escala industrial”, diz. Por isso, destaca ele, é importante que o aporte de R$ 1 bilhão seja investido de maneira correta.
No Brasil há duas plantas-piloto da Petrobrás para conversão de biomassa em etanol por meio da hidrólise enzimática. Este tipo de álcool é obtido na quebra da celulose do bagaço da cana e ainda necessita de estudos para se tornar viável comercialmente. Há 20 anos são feitas pesquisas para se chegar a uma quebra total, o que poderia fazer dobrar a produção de álcool no Brasil.
UnB Agência