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benedito-nunesFamiliares, amigos e admiradores se despediram, na manhã desta segunda-feira, 28, do filósofo e escritor paraense Benedito José Viana da Costa Nunes, durante a missa de corpo presente celebrada na Igreja de Santo Alexandre, no bairro da Cidade Velha, em Belém. Ele faleceu na manhã deste domingo, 27, após parada cardíaca decorrente de complicações renais. A celebração foi realizada pelo padre Fabrízio Meroni, diretor do Centro de Cultura e Formação Cristã da Arquidiocese de Belém.
Um dos momentos de maior emoção foi a leitura de textos de autoria de T.S. Eliot e José Maria Rilke, que tratam sobre a vida e a morte. A leitura foi feita pelo jornalista Guto Lobato e pelos professores  Décio Gusmão e Artur Maués, da UFPA, acompanhados pelo som de piano da "Sonata ao Luar", de Beethoven.

Com a igreja lotada, após a despedida dos amigos e familiares, o corpo de Benedito Nunes foi levado em cortejo até o cemitério Max Domini, em Marituba, Região Metropolitana de Belém, onde houve uma cerimônia de sepultamento simbólico. O corpo foi colocado em uma urna, onde permanecerá até às 10h desta terça-feira (1), quando será cremado.

Várias autoridades e personalidades do meio artístico e literário estiveram presentes à missa. O governador do Estado, Simão Jatene, acompanhou a celebração e se despediu do amigo. “Não é uma perda só para o Estado, mas para toda a humanidade, que perdeu um grande pensador”, lamentou o governador.

O reitor da Universidade Federal do Pará, Carlos Maneschy, também participou da celebração e ressaltou o legado que Benedito Nunes deixa para o meio acadêmico. “Foi um homem muito generoso e tinha a simplicidade como marca pessoal. Ele se dizia um eterno aprendiz. Eu digo que, para nós todos, ele será sempre um eterno mestre.”

Professor emérito da UFPA, Benedito Nunes deixa eternizada suas obras. “Ele representa e vai continuar representando o monumento vivo da cultura paraense, com grande impacto no Brasil e até no exterior”, declarou o secretário de Estado de Cultura, Paulo Chaves.

Amizades - Entre os amigos presentes à missa, estava o jornalista e pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi, Nelson Sanjard. Ele conta que conheceu o filósofo na década de 80, quando foi convidado para participar de um projeto literário, para a Unesco, sobre a escritora Clarice Lispector. Logo depois, o jornalista passou a trabalhar na organização do arquivo pessoal de Benedito e a frequentar as reuniões de grupos de amigos. “Ele tinha a capacidade de aglutinar amigos em torno da arte e da literatura, reunindo pessoas de diferentes gerações. Nós costumávamos reunir na casa dele, que chamávamos de República da Estrela, pelo fato de se localizar na travessa da Estrela" - hoje chamada de Mariz e Barros. São grupos diversificados que se reúnem para ouvir música; outro, para uma boa conversa sobre poesia ou sobre filosofia, então, eram grupos que estavam sempre gravitando em torno de Benedito”, relata.

Na Academia, a admiração e a amizade também vêm de outros catedráticos, como o professor e escritor João de Jesus Paes Loureiro. “A gente sempre fica pensando nele como uma dessas pessoas em que a vida perdura através das obras que fez; através dos alunos que teve e passaram a admirá-lo; através das orientações que ele deu e, sobretudo, através dessa coisa eterna que é o livro, e o pensamento e a emoção através do livro”, disse.

Biografia - Benedito Nunes nasceu no dia 21 de novembro de 1929, em Belém. Filho de Maria de Belém e Benedito Nunes, iniciou na leitura aos quatro anos de idade. A Filosofia e a Literatura eram suas grandes paixões.

Ingressou, na década de 50, como professor titular de Filosofia na UFPA. Fez mestrado na Sorbonne, em Paris, e lecionou em outras universidades brasileiras, francesas e norte-americanas, no campo da literatura. Mesmo depois de aposentado, continuou ensinando, por meio de suas inúmeras conferências e das obras que produzia.

Também atuou no campo do teatro, fundando, ao lado de sua esposa, Maria Sylvia Nunes, e da cunhada Angelita Silva, o Norte Teatro-Escola, depois assumido pela Universidade Federal do Pará.

Na literatura, Benedito Nunes escreveu para jornais da região e de âmbito nacional. Possui uma vasta obra, composta de livros, participações em criações coletivas e inúmeros artigos em edições especializadas. Sua primeira obra foi uma análise do trabalho de Clarice Lispector – O mundo de Clarice Lispector - de 1966, sobre quem escreveria constantemente.


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Assessoria de Comunicação da UFPA