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O ataque sofrido pelo Portal da UnB na última sexta-feira é, em tese, mais fácil de ser desvendado do que a investida contra os sites da Presidência República, segundo o professor Rafael Timóteo, coordenador do Laboratório de Informática Forense da universidade. "Foi uma ação muito direcionada, de alterar notícias na página principal", afirma. "Houve uma sequência de comandos, que deve ter deixado rastros mais perceptíveis". Rafael coordena um curso de mestrado voltado especificamente a peritos da Polícia Federal, inaugurado em 2009.
"O curso faz parte da estratégia da Polícia Federal de criar um grupo de pesquisa e produção de conhecimento na área", diz. Essa estratégia envolveu investimentos de R$ 300 mil, usados para a compra de equipamentos capazes de copiar discos atacados, reconstruir informações destruídas, identificar ferramentas usadas no ataque, rastrear celulares e analisar pistas deixadas pelos hackers. O principal foco é a coleta de provas, necessárias para a efetiva condenação dos autores. A primeira turma do curso, com 30 alunos, deve se formar no fim deste ano.

O professor acredita que o ataque ao portal da UnB foi feito por um grupo diferente do que investiu contra os sites do governo federal. "O tipo de ataque foi diferente, o efeito procurado foi outro", diz. "No caso do governo federal, procurou-se derrubar o site, já na UnB os autores quiseram alterar o sistema de notícias". Rafael classifica o ataque à UnB como grave, já que poderia ter acessado outras bases de dados da universidade.

A investigação desse tipo de ataque começa normalmente com um rastreamento das múltiplas fontes usadas para a ação. Encontrados os provedores utilizados no ataque, buscam-se coincidências nos registros desses provedores. A maior dificuldade está justamente em ter acesso a esses registros, já que muitas vezes ficam hospedados em outros países. "É preciso a colaboração desses países, mas muitas vezes os provedores estão nos chamados paraísos cibernéticos, onde a legislação não obriga o armazenamento das informações", diz Hélvio Peixoto, vice-presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais. "A Polícia Federal tem pessoal qualificado e infraestrutura necessária, embora existam fatores extras que interferem na investigação."

Hélvio afirma que a Polícia Federal vem investindo cada vez mais na solução de crimes cibernéticos, com a realização de conferências internacionais sobre o tema, participação de empresas, estudiosos e autoridades internacionais. "A diferença desse tipo de crime para os outros é a rapidez na evolução da tecnologia", diz. "Quando se cria um sistema de segurança, os hackers já procuram imediatamente os meios para burlá-lo." 

UnB Agência