A Faculdade de Administração e Ciências Contábeis (FAeCC) e os centros acadêmicos dos respectivos cursos promovem amanhã (16) a palestra “Banco do Brasil: Estado e Política”, que será ministrada pelo professor Thiago Fontelas Rosado Gambi, da Universidade Federal de Alfenas (Unifal). A conferência será realizada às 19h30, no auditório de Pós-Graduação da Faecc (UFMT). Na palestra ele discorrerá sobre sua tese de doutorado em História Econômica, com o título “O Banco da Ordem - Política e finanças no império brasileiro”. O trabalho foi defendido em 2010.
Será discutida a Política Monetária Nacional mediante a análise da história dos bancos a partir do surgimento do Banco do Brasil como instituição financiadora da política conservadora do Império, no século XIX, e a sua consolidação como instituição financeira de maior influência econômica do país.
Serão apreciadas a dinâmica do Banco Central na política de emissão de Moeda e as relações hierárquicas das instituições financeiras no controle da Economia, bem como as medidas adotadas pelo Governo no controle da Inflação e na atenção dada aos indicadores econômicos pela mídia.
Thiago Fontelas Rosado Gambi é graduado em Ciências Econômicas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2000), mestre em Planejamento Urbano e Regional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2004) e doutor em História Econômica pela Universidade de São Paulo (2010).
A palestra será destinada ao público em geral, em especial a estudantes, economistas, jornalistas e demais interessados em Economia Política e temas afins.
Resumo da tese de doutorado:
O trabalho “busca entrelaçar a história de um banco, das idéias econômicas de um homem e de um projeto político. O segundo Banco do Brasil foi idealizado e concretizado pelo então ministro da fazenda Joaquim José Rodrigues Torres, futuro visconde de Itaboraí, e se inseria, como braço financeiro, no projeto conservador de centralização política do império, no projeto político saquarema de construção e consolidação do Estado imperial. A tese que guia o trabalho é de que o banco foi resultado desse projeto político mais amplo levado a cabo pelos saquaremas. Embora fosse uma instituição privada, suas relações com o governo eram estreitas. Como cabia ao imperador nomear o presidente da instituição, seus olhos se faziam presentes no coração da máquina monetária e, em menor medida, creditícia da economia mercantil escravista brasileira. Era o banco o responsável pelo controle da oferta monetária da economia e para isso contava formalmente com o monopólio da emissão de notas bancárias em todo o império. Ao controlar tal oferta, o banco poderia regular a liquidez do mercado e a taxa de desconto. Com a moeda e o crédito nas mãos, o segundo Banco do Brasil era uma instituição chave para a centralização do poder político na Corte. Ao perder o monopólio de emissão, o banco perderia a capacidade de controlar a oferta de moeda e crédito naquela economia e, portanto, sua razão de ser. Daí não ser surpresa o fato de que os próprios saquaremas trabalhassem politicamente para cassar o direito de emissão do banco. É nesse sentido que buscamos reconstituir a história do segundo Banco do Brasil, o banco da Ordem.”
Mais Informações: 3615-8508/3615-8509.



